Apolíneo e Dionisíaco
Em seu livro, O Nascimento da Tragédia, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche descreve uma dicotomia presente nas artes, em especial na tragédia. Ele estabelece os conceitos estéticos de apolíneo e dionisíaco, sendo o primeiro referência ao deus Apolo, imagem da razão, controle, ordem, clareza, medida e simetria. O segundo vem do deus Dionísio, representando o oposto - a emoção, o descontrole, o caos e o ilimitado. Nietzsche atribui à arte um papel central na cultura humana e afirma que nenhuma arte pode ser puramente apolínea ou dionisíaca, sendo a articulação desses dois conceitos o produto da criação humana.
Para ilustrar melhor esses conceitos, colocamos em oposição a arte clássica renascentista de artistas como Michelangelo e Leonardo da Vinci e os movimentos artísticos do século XX, com Salvador Dalí e Picasso como dois de seus representantes. A primeira vê beleza na ordem e clareza de suas pinturas, enquanto a segunda vem exatamente para desconstruir isso, trabalhando sob os aspectos da emoção e descontrole.
Analisando algumas séries televisivas, podemos encontrar personagens pintados por esses diferentes conceitos, alimentando suas interações baseando-se nessa binaridade. Em Fleabag, a personagem principal é uma pessoa do descontrole e emoção, enquanto sua irmã Claire é construída na razão, controle e medida. No sitcom The Office temos Michael Scott como representante do lado dionisiaco e Dwight do apolíneo. Jake Peralta e Amy Santiago é outra dupla dos seriados que trazem essa dicotomia estética para a televisão, com Jake sendo um personagem do caos e da emoção e Amy uma pessoa extremamente racional e controlada.
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| Amy Santiago |
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| Jake Peralta |






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